Entretenimento
Por que o Dia dos Pais "importa menos" que o Dia das Mães?
Entretenimento
há 6 meses
10/08/2025 11h55 - Atualizado em 10/08/2025 12h01

O Dia dos Pais, celebrado neste domingo (10/08), vale metade do Dia das Mães, comemorado anualmente no segundo domingo de maio. É esse o peso da data comemorativa na economia brasileira. Enquanto o Dia das Mães de 2025 movimentou R$ 14,4 bilhões, o Dia dos Pais deve representar R$ 7,8 bilhões, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
De acordo com com a entidade, o Dia dos Pais é a quarta principal data comemorativa do país, perdendo para, nesta ordem, Natal, Dia das Mães e Dia das Crianças.
Para além do aspecto meramente econômico, especialistas ouvidos pela DW veem nesse quadro um reflexo de como os papéis de gênero são encarados na hora de criar os filhos — revelando uma sociedade ainda machista e patriarcal, em que a maternidade parece mais valorizada do que a paternidade.
"A presença materna é celebrada com mais convicção. Até porque o pai pode até 'não dar conta' [da paternidade] porque tem a mãe para dar conta. Então acaba sendo aquela coisa da sociedade machista que privilegia os homens, como se o pai pudesse decidir não ser pai porque o filho será criado pela mãe", comenta o psicanalista e palestrante Thiago Queiroz, pai de quatro crianças, autor do livro O Poder do Afeto e idealizador do site Paizinho, Vírgula!
#Anuncio_87
Quando encara a discrepância dos dados de faturamento entre as duas datas comemorativas, ele lembra que o Brasil tem milhares de crianças que nem sabem quem é o pai e outras tantas que são filhas de casais separados e não convivem com o progenitor. "É uma leitura sintomática: o cuidado paterno é marcado pela ausência", afirma. "Como você presenteia a ausência?"
Dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil) apontam que, dos quase 26 milhões de nascimentos registrados em cartórios no país somente de 2016 para cá, 1,4 milhão (5%) não têm pai declarado.
Já uma análise da Fundação Getúlio Vargas revelou que, em 2022, mais de 11 milhões de mães criavam seus filhos sozinhas no Brasil.
Economista da Associação Comercial de São Paulo (ACS), Ulisses Ruiz de Gamboa atribui a preponderância do Dias das Mães ao "apelo emocional e cultural mais forte". Além disso, o Dia das Mães tem mais lastro social: a oficialização da data é anterior.
"Tradicionalmente, a figura materna está mais associada ao cuidado, ao afeto e à celebração familiar, o que impulsiona o consumo em diversos segmentos, como flores, perfumes, roupas, eletrodomésticos e experiências afetivas", diz ele, acrescentando que o Dia dos Pais também tem "padrões de consumo menos consolidados".
A questão, portanto, passa pela maneira como a própria sociedade enxerga as funções da mãe e as funções do pai.
"Essa diferença revela tanto a centralidade histórica e cultural do papel materno na sociedade brasileira quanto a construção social de gênero que associa a mulher mais diretamente ao cuidado e à afetividade", avalia a psicóloga Mariana Malvezzi, professora na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
Recomendadas
Outras Notícias
Mais lidas do Mês
Utilizamos cookies para sua melhor experiência em nosso website. Ao continuar nesta navegação, consideramos que você aceita esta utilização.
Ok Política de Privacidade
(48) 3535-1256
Rua Silvio Boff, 348 Bairro Paraguai
Jacinto Machado/SC - CEP: 88950-000
Copyright 1996 á 2026 - Todos os direitos reservados - Jornal Volta Grande